Setembro Amarelo
- #fcbpelavida
Segundo
informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa
de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. No Brasil, 32 pessoas morrem por dia
vítimas de suicídio.
O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, complexo, multifacetado e de
múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens,
classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero¹
Diante dessa triste e assustadora realidade,
a professora de Filosofia Lívia Geralda Queiroz, decidiu trabalhar com seus
alunos do Ensino Médio, esse tema tão delicado, cercado de tabus e preconceitos,
que impedem que vidas sejam salvas, pois o suicídio pode ser prevenido.
Com o auxílio dos colegas
professores Henrique de Oliveira Lima, Joyce Karla Santos Vieira Galvão, Kellis
Cristina Rodrigues de Matos, Leonice dos Santos Lima Damasceno, foi preparado o
material para ser utilizado em sala (folheto explicativo, mural), fora de sala
(mural) e nas redes sociais (vídeos disponibilizados pelo CVV – Centro de
Valorização da Vida). Além de cartazes confeccionados por alunos das 1ª séries,
que foram afixados no pátio do colégio.
A professora Lívia falou sobre essa iniciativa:
Resolvi trabalhar esse tema com
meus alunos devido ao fato que, esse ano, três
pessoas próximas a mim tentaram suicídio. Fiquei extremamente surpresa e
chocada quando me revelaram, mas acima de tudo fiquei decepcionada comigo, pois
não percebi nada – para mim estava tudo normal. Então, decidi pesquisar – e muito
– sobre o assunto. Compreendi que toda
pessoa que pensa e/ou morre por suicídio, ela manifesta sinais de alerta. Nós é
que precisamos estar atentos, para percebermos essa (s) mudança (s) e oferecer
nosso apoio. As descobertas que fiz, através dos estudos, me deixaram perplexa.
Algumas negativamente, como o dado da OMS – Organização Mundial da Saúde – que,
a cada 40 segundos no mundo, uma pessoa perde a vida pelo suicídio; outras
positivamente, segundo novamente a OMS, 90% dos casos de suicídio poderiam ser
evitados através da conversa.
Com base nesses dados, senti uma
forte necessidade de abordar esse tema. Percebi que é um assunto, que a maioria
das pessoas tem muito receio em falar abertamente, seja por ignorância,
preconceito ou medo, preferem ignorar. Mas, os jovens são naturalmente
curiosos, o que é excelente para as aulas de filosofia, e é um assunto próximo
à realidade deles. Por isso, imaginei que seriam receptivos a essa iniciativa. Durante
as aulas, percebi atenção, concentração e emoção. Obviamente não posso avaliar
o alcance dessas aulas, pois é muito pessoal. Entretanto, acredito que meu objetivo maior foi alcançado: o de
despertar a sensibilidade para a importância de falar e escutar sobre a nossa
saúde mental. Alguns alunos, em particular, desabafaram experiências pessoais
próprias ou de amigos. Para mim, o desafio valeu a pena.
(Apenas
uma última observação: a maioria dos casos de suicídio está associada à
depressão, devido a isso, compartilho, após as imagens, um texto/depoimento
sobre depressão).
Uma aluna da 3ª série, que preferiu não se identificar,
relatou uma vivência pessoal:
Há algum tempo, eu sentia uma
tristeza diferente e profunda, uma ansiedade incontrolável, minha cabeça ficava
tão cheia de coisas, que ficava atormentada. Foram momentos muito difíceis, eu
não entendia o que estava acontecendo comigo. Teve uns dias, que vomitei muito.
Não conseguia comer nada. Sem aguentar mais, decidi desabafar com minha mãe. Foi
a melhor coisa que fiz. Minha mãe me escutou, acolheu e decidiu me levar em uma
psicóloga. Sinceramente, eu achava que não precisava de acompanhamento psicológico.
Eu sabia o que era psicologia, mas não considerava necessário recorrer a essa especialidade.
Como eu estava enganada. Fui diagnosticada com ansiedade. Segundo a psicóloga,
se eu não tivesse buscado ajuda, poderia ter desenvolvido outros distúrbios emocionais
e doenças graves como depressão. Aos poucos fui melhorando. Agora, consigo
controlar minhas crises de ansiedade. Ainda faço acompanhamento e isso tem
feito um bem enorme para minha saúde e minha vida. Eu não cheguei a pensar em
suicídio, mas acredito que se não tivesse procurado ajuda, poderia ter
desenvolvido pensamentos suicidas. Digo a todos que sofrem com uma tristeza diferente,
uma angústia profunda, procure ajuda. Não espere que vai passar sozinho,
desabafe com alguém, converse. Há tratamento.
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Depressão: uma perda de si mesmo
Há um certo tempo, especialistas e
pesquisas científicas, vêm apontando a depressão como sendo o mal deste século.
A estressante vida moderna, com suas atribulações e correria, tem contribuído
para um crescente número de casos de depressão.
A maioria de nós, já ouviu falar ou
conhece alguém que sofreu ou sofre com essa doença. Porém, a nossa
sensibilidade e entendimento, não são capazes de perceber as entranhas dessa
enfermidade. Nosso olhar distante e externo, é capaz de compreender apenas a
superfície dessa misteriosa e espinhosa moléstia e suas consequências para a
vida pessoal, social e psíquica de quem enfrenta esse problema.
Devo admitir, a partir de minha própria
experiência, que somente quem vivencia essa situação é capaz, realmente, de
entender a amplitude e a profundidade do vazio que nos envolve e domina,
levando-nos a perder a consciência de quem somos. É assustador a forma rápida
como não conseguimos mais reconhecer nossa individualidade e personalidade.
Somos envolvidos por uma onda avassaladora de desânimo, descrença e pessimismo.
Tenho orgulho em dizer que sou uma
pessoa de fé, cuja a mesma foi testada várias vezes e fortalecida na mesma
proporção. Uma pessoa que consegue evoluir, amadurecer e perceber a beleza da
vida e a manifestação divina nas pequenas coisas. Uma pessoa feliz. Entretanto,
ao passar por um período de depressão, tenho que reconhecer que perdi minha fé.
Procurava, procurava, mas não conseguia encontrar aquilo que sempre me
sustentou e guiou toda a minha existência. É frustrante e aterrorizante, perder
a direção do seu caminho, não ter forças para levantar a cada amanhecer, não sentir
prazer em nenhuma atividade que outrora era a válvula de escape, forçar a
alimentação, pois tem consciência que, se não comer, vai piorar. Não conseguir
apreciar os momentos bons; não se alegrar com nada nem com ninguém; se afundar
cada vez mais numa existência vazia, na qual não se vive, apenas existe. Pensar
que não vale a pena viver, que morrer seria a única forma de alívio.
É um caminho obscuro, tenebroso, no qual a
escuridão vai preenchendo cada espaço e dominando cada parte do nosso ser. A
impressão que temos é que, não há saída, não existe solução, só nos resta
afundar cada vez mais num mar de incertezas, num abismo, no qual nosso “eu” não
existe mais.
Apesar de todos esses percalços, de
toda angústia, existe solução. É preciso encontrar a pouca força que nos resta
e buscar ajuda. Ajuda profissional, de um PSIQUIATRA¹, que está preparado para
nos ajudar a reencontrar nós mesmos e nos reerguer. Infelizmente, muitas
pessoas, por preconceito e/ou ignorância, pensam que psiquiatra é “médico de
doido”. Psiquiatra é um especialista em saúde mental, e quanto mais pessoas se
conscientizarem disso, melhor será para todos, e muitas vidas podem ser salvas.
Precisamos, urgentemente, abrir nossas mentes e corações para podermos ajudar
tantas pessoas que sofrem caladas, e, outras que, desamparadas e perdidas,
chegam a sofrer suicídio² – a consequência mais violenta dessa
terrível e, às vezes, silenciosa, doença.
Despertemos nossas consciências para
ajudar a nós mesmos e aos outros. Existe saída para a depressão. Procure um
psiquiatra.
(Lívia
Geralda Queiroz)
¹
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/o-papel-do-psiquiatra-com-o-cuidado-a-saude-mental/51762
²
https://hypescience.com/por-que-devemos-parar-de-usar-a-frase-cometeu-suicidio/