domingo, 15 de setembro de 2019




Setembro Amarelo: depoimentos

            Alguns alunos do turno vespertino, questionaram a professora Lívia Geralda Queiroz – que trabalha a disciplina de História nos sétimos e oitavos anos –, o porquê do Setembro Amarelo não ter sido trabalhado com eles. Devido à essa “pressão”, a professora decidiu abordar o tema que, a princípio seria apenas no Ensino Médio, também no Ensino Fundamental.
            Durante a abordagem do tema, a professora foi surpreendida com a atitude de duas alunas que, corajosamente, abriram seus corações e desabafaram suas experiências. A pedido da professora, as alunas, ambas cursam o 8º, concordaram em expor, anonimamente, essas experiências que podem ajudar a outros jovens.

Relato 1:
            Ano passado, estava sentindo uma culpa sufocante, a consciência tão pesada, pois estava passando por problemas familiares. Pegava para mim toda a responsabilidade pela coisas erradas que estavam acontecendo. Por não conseguir atingir meus objetivos, me sentia mais culpada e com baixa autoestima. Para minha família, eu fingia que estava bem, disfarçava. Não aguentava mais. Pensei em me matar.
Até que resolvi buscar ajudar, procurar umas colegas/amigas, para desabafar. Isso foi ótimo, porque elas me deram vários conselhos, me fizeram perceber que eu não podia carregar culpa por tudo, me fizeram sentir bem e especial. Percebi que temos que dar valor à vida, que derrotas e vitórias fazem parte da vida.
Considero o Setembro Amarelo muito importante, pois nos dá a oportunidade de ajudar outras pessoas. Eu mesma, esse ano, ajudei duas amigas minhas que passaram por problemas familiares: uma do sexto ano, que ficava dizendo que queria sumir, desaparecer, que pensava em se matar; outra, do sétimo ano, que se cortava. Conversei com elas, falei o quanto são especiais e que deviam tentar conversar com as famílias. Hoje, falta muito diálogo nas famílias.
O Setembro Amarelo também é importante, porque estimula as pessoas a postarem mensagens de otimismo, de incentivo. Pequenos gestos fazem a diferença, fazem a pessoa se sentir especial.

Relato 2:
Ano passado eu tentei me matar. Meus pais iam se separar e eu me senti perdida, angustiada, com uma dor imensa por perder a minha família, uma dor na alma. Por isso, tentei suicídio. Até hoje, meus pais não sabem disso. Depois dessa tentativa, eu parei para pensar com mais calma e percebi que se eu tivesse conseguido meu objetivo naquela época, eu teria causado uma dor muito grande em pais. E eu não queria e nem quero isso.
Durante a minha vida escolar, sempre sofri bullying, pelo fato de ser mais cheinha, pelo meu cabelo. Isso me magoou muito e me fazia sentir péssima. Por isso, tentei mudar minha aparência para agradar aos outros. Mas, não funcionou. Até que não aguentei mais e pedi para minha mãe me tirar da minha antiga escola. Foi assim que cheguei ao Felismina. Aqui encontrei algo que nunca tinha sentido, respeito. Ninguém nunca me criticou pelo meu corpo. Agora, eu tenho autoestima, sei que as pessoas são diferentes e que há diferentes belezas. Hoje, eu me acho bonita e me aceito. E decidi falar disso que aconteceu comigo, porque precisava desabafar, me libertar e, quem sabe, ajudar alguém.







Ilustrações: Kallita Lorrany Fernandes Alves - 8º B 

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