Terça-feira, 30 de abril
de 2019. Um dia trágico para a educação: “um tiro pelas costas, enquanto corria, e outro a curta
distância. Foi desta forma que, segundo a polícia, o coordenador da Escola
Estadual Céu Azul, em Valparaíso de Goiás, Júlio
Cesar Barroso de Sousa, 41 anos, foi morto por um aluno uniformizado de 17 anos
dentro do colégio”¹.
A
educação brasileira sofre mais um terrível golpe, além dos graves problemas tão
mencionados, como, falta de estrutura nas escolas, condições precárias de
trabalho, desvalorização e desrespeito aos professores, ofensas e agressões
constantes por parte de alunos e seus responsáveis, uma página trágica foi
escrita com o sangue de um profissional. É o reflexo de uma sociedade doente,
famílias omissas e permissivas.
Diante dessa
realidade calamitosa, surgem questionamentos: Que jovens estamos formando?
Escolas, famílias, sociedade, precisam, urgentemente, repensar que tipo de
educação estamos oferendo às nossas crianças e jovens. Que tipo de pessoa, após
algumas discussões, atira em outra, pelas costas?
Temos
uma geração que, infelizmente, não aprendeu a ser contrariada, não aceita
limites e regras, está constituída por jovens frios, calculistas, egoístas, que
não sabem lidar com situações conflituosas nem com frustações. Tudo tem que ser
do jeito que querem, como e quando querem.
Crianças
e jovens da chamada geração Z, daqueles que nasceram entre 1992 e 2010, “nunca viram o mundo sem a presença de
computadores, tablets e celulares, e desde muito pequenos já se viram muito bem
com esses dispositivos, aprendendo com muita facilidade seu manuseio”².
Entretanto, não sabem conviver, não percebem que toda relação humana e social
precisa ser baseada no respeito.
As
escolas, que outrora, eram espaços de reforço de valores familiares e sociais,
espaços de aprendizagem e socialização, tornaram-se, em muitos casos, os únicos
lugares que crianças e jovens deparam-se com a presença de autoridade,
disciplina e limites. E quando
confrontados com essa nova realidade reagem agressivamente.
Não
podemos permitir que a falência familiar instaurada, prossiga destruindo
personalidades e formando indivíduos voluntariosos, nem que as famílias
continuem transferindo suas responsabilidades para as instituições educacionais.
Lívia Geralda
Queiroz



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