quarta-feira, 1 de maio de 2019

Educação de Luto








Terça-feira, 30 de abril de 2019. Um dia trágico para a educação:um tiro pelas costas, enquanto corria, e outro a curta distância. Foi desta forma que, segundo a polícia, o coordenador da Escola Estadual Céu Azul, em Valparaíso de Goiás, Júlio Cesar Barroso de Sousa, 41 anos, foi morto por um aluno uniformizado de 17 anos dentro do colégio”¹.
          A educação brasileira sofre mais um terrível golpe, além dos graves problemas tão mencionados, como, falta de estrutura nas escolas, condições precárias de trabalho, desvalorização e desrespeito aos professores, ofensas e agressões constantes por parte de alunos e seus responsáveis, uma página trágica foi escrita com o sangue de um profissional. É o reflexo de uma sociedade doente, famílias omissas e permissivas.
          Diante dessa realidade calamitosa, surgem questionamentos: Que jovens estamos formando? Escolas, famílias, sociedade, precisam, urgentemente, repensar que tipo de educação estamos oferendo às nossas crianças e jovens. Que tipo de pessoa, após algumas discussões, atira em outra, pelas costas?
          Temos uma geração que, infelizmente, não aprendeu a ser contrariada, não aceita limites e regras, está constituída por jovens frios, calculistas, egoístas, que não sabem lidar com situações conflituosas nem com frustações. Tudo tem que ser do jeito que querem, como e quando querem.
          Crianças e jovens da chamada geração Z, daqueles que nasceram entre 1992 e 2010, “nunca viram o mundo sem a presença de computadores, tablets e celulares, e desde muito pequenos já se viram muito bem com esses dispositivos, aprendendo com muita facilidade seu manuseio”². Entretanto, não sabem conviver, não percebem que toda relação humana e social precisa ser baseada no respeito.  
          As escolas, que outrora, eram espaços de reforço de valores familiares e sociais, espaços de aprendizagem e socialização, tornaram-se, em muitos casos, os únicos lugares que crianças e jovens deparam-se com a presença de autoridade, disciplina e limites.  E quando confrontados com essa nova realidade reagem agressivamente.
          Não podemos permitir que a falência familiar instaurada, prossiga destruindo personalidades e formando indivíduos voluntariosos, nem que as famílias continuem transferindo suas responsabilidades para as instituições educacionais.
Lívia Geralda Queiroz




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